HIDROGEOLOGIA DA ÁREA COSTEIRA DE CAMBOINHAS, NITERÓI-RJ

Aderson Marques Martins

Resumo


A praia de Camboinhas é um bairro de veraneio abastecido por água subterrânea, trazendo hoje preocupações quanto à intrusão marinha. A área está em um cordão litorâneo, sobreposto a gnaisses do Pré-Cambriano. Os aqüíferos existentes são o poroso e o fissural. Para estudar a recarga foram utilizados os índices de 20% das chuvas acima de 90
mm (Boonstra & Ridder, 1981) e de 30% da precipitação anual. Para o consumo anual de água foram consideradas 2.000 e 4.000 habitantes e consumos per capita de 0,2 e de 0,4 m3/hab/dia, tendo em vista a época de veraneio. Uma rede de fluxo, feita a partir de 29 poços freáticos, revelou uma zona de recarga nos sedimentos, na porção central da área, fato atribuído a uma fratura do cristalino. A partir de 12 sondagens elétricas Wenner, foram obtidas quatro seções com a interface atual água doce/salgada. A condutividade variou de 125 a 600 μS, sendo maior nos poços próximos do mar. Da equação (Glover, 1964 in Domenico & Schwartz, 1981) chegou-se à posição original da interface e a partir daí avaliar a possibilidade de intrusão salina. A interface atual, projetada a 700 m da linha de costa, que estaria virtual a 50 m de profundidade, devido à maior permeabilidade do meio fissural, estará de fato a menor
profundidade. Como a interface atual ultrapassa 1/3 da distância entre a interface inicial e o fundo dos poços na linha de costa e o consumo anual de água é quase sempre superior à
recarga, estaria havendo depleção da reserva. Entretanto, as condutividades das águas dos poços na linha de costa (250 a 600μS) não confirmam esses efeitos. Parte da resposta pode estar na ausência da recarga proveniente do aqüífero fissural nas condições de contorno do modelo. O fluxo inter-aqüíferos, em várias partes do mundo, explica a manutenção de longo termo de extrações superiores à recarga (Rebouças, 1999
– Jornal da ABAS).

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